Oportunidades e Riscos para Nova Avicultura Brasileira

José Flávio Neves Mohallem
Diretor-Presidente da Granja Planalto
Presidente da APINCO Associaçao Brasileira dos Produtores de Pintos de Corte

Todos segmentos da avicultura brasileira voltaram a respirar melhor em 2007. Depois de sobreviver à mais grave crise do setor em 2006, provocada pela “Gripe Aviária” e pelo terror disseminado pela mídia em todos os cantos do mundo, estamos encerrando 2007 com bons resultados, com crescimento das capacidades produtivas e recuperando o ano perdido em 2006. Alguns elos da cadeia ainda não alcançaram as margens necessárias, mas aparentemente é só uma questão de ajuste de tempo. Mas quando olhamos para frente, ficamos preocupados. 2008 começa, no segmento de carnes, com um novo patamar de capacidade produtiva e as estatísticas demonstram o risco de se repetir a curva cíclica de baixa rentabilidade.

Será isto uma verdade ou podemos estar vivendo o início de uma nova era para a avicultura brasileira?

Vejamos alguns pontos importantes, do Brasil:

• O Brasil tem apresentado um saldo positivo da balança comercial desde 2001, com crescimento forte até 2005, muito diferente dos déficits apresentados nos anos anteriores;

• O risco Brasil, que em 2002 superou o índice de 1400 pontos, vem reduzindo fortemente a cada ano, atingindo em 2007 o menor índice histórico, abaixo dos 150 pontos;

• A renda média do trabalhador brasileiro vem crescendo desde 2003;

• Saímos de uma inflação mensal de 2 dígitos para uma inflação anual em 2006 de 3,1% aa.

• Na área da educação, os índices também demonstram evoluções importantes, com redução do analfabetismo, maior número de crianças no ensino fundamental, maior número de alunos no ensino médio e superior, relativamente;

• A expectativa de vida do brasileiro saiu de 54 anos em 1980 para 72,4 anos em 2006;

• Nosso PIB voltou a crescer, apesar de estarmos perdendo oportunidades se compararmos com outros países em desenvolvimento.

Olhando agora para o mundo, alguns fatores podem impactar fortemente nossos negócios:

• O PIB mundial tem crescido na casa dos 5,0% aa, mas importantes países como Rússia, Índia e China têm chegado a próximo de 7%, 8% e 10%, respectivamente;

• As projeções para 2015 apontam uma expressiva redução da pobreza mundial, principalmente na Ásia;

• A população mundial será próxima a 8 bilhões em 2025, algo como 1,5 bilhão adicionais em relação à população atual.

Existe hoje um excesso de oferta de dinheiro, que vem sendo cada vez mais aplicado em atividades produtivas que realmente geram e agregam valores. Isto vem recuperando lentamente a importância da atividade produtiva.

Como resultado destas diversas evoluções sócio-econômicas, estamos vivendo um período de forte valorização dos alimentos, em especial as proteínas animais. Diversos estudos demonstram que a melhoria da renda do indivíduo provoca um maior consumo de proteínas animais em detrimento de outros alimentos de menor valor nutricional.

A conjugação destes fatores confirma o que todos nós da avicultura brasileira projetávamos há uns 10 anos atrás. O mundo não consegue produzir alimentos suficientes para atender esta nova demanda crescente, e o Brasil se fortalece com as expressivas vantagens do seu “agribusiness”.

Mas temos também fortes preocupações. Existe agora um novo patamar de custos. Milho, soja e trigo também se valorizaram depois de um ciclo muito ruim de rentabilidade. E não sabemos ainda como o consumidor final vai reagir a este novo patamar de preços dos alimentos. Certamente teremos comportamentos diferentes em cada região do planeta.

Neste jogo de equilíbrio de forças, a avicultura tem vantagens como qualidade, custo competitivo e ser saudável, que podem gerar ganhos relativos aos outros alimentos.

Mas tudo isto está sujeito a grandes mudanças em função de fatores não previsíveis ou não perceptíveis no momento. Por isso, cautela é sempre prudente para nosso segmento.

 




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